Johnny Jefferson Telles
Pesquisador de Generative Engine Optimization (GEO). Mestre em Administração (UNISA).
Sócio-fundador da MKPE — Marketing para Especialistas.

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9 papers acadêmicos sobre GEO — Zenodo e
SSRN
Livro: A Era das Marcas Citáveis (MKPE, 2026)

Há uns dois anos percebi que alguma coisa havia mudado de vez.

Não era só o fato de que a IA responde diferente a cada consulta. Isso todo mundo já sabia. O que percebi foi outro nível do problema: as diferenças de comportamento entre as IAs, e entre os assuntos que cada uma trata. Testei a mesma pergunta para GPT, Gemini, Perplexity e Claude e vi que as respostas têm pesos, estilos e critérios completamente distintos. Cada uma tem o que eu chamo de personalidade de resposta.

Isso não é bug. É a natureza do sistema.

O Google foi construído para ser previsível. A mesma query, no mesmo contexto, tendia ao mesmo resultado, com variações conhecidas, como localização e histórico. Era um campo que se aprendia. Era mais calculável. Aprendíamos as regras, jogávamos dentro delas, medíamos com precisão.

As IAs não prometem o mesmo resultado duas vezes. Têm personalidades. Não é cálculo. É semântica. Cada uma interpreta o mundo do seu jeito, no seu momento.

Essa diferença muda tudo para qualquer marca que queira ser encontrada.

O árbitro mudou

Havia um ditado: se quer resultados diferentes, faça coisas diferentes. Funciona no Google. Na era das IAs, nem isso é verdade. Você pode continuar fazendo exatamente o que sempre fez, e o resultado vai mudar assim mesmo. Porque o árbitro mudou.

Não jogamos mais só no campo do Google. Jogamos em campos diferentes, com árbitros que não se falam entre si, não usam o mesmo manual e não avisam quando mudam de opinião. O ChatGPT recomenda uma coisa. O Gemini pondera outra. O Claude qualifica diferente. O Perplexity cita quem o algoritmo de busca privilegia naquele momento. E tem o quinto — silencioso, frequentemente esquecido nas análises — o Copilot. Que é Bing. Que é Microsoft. E que, progressivamente, também é GPT.

Cinco árbitros que nunca vão se reunir para alinhar o placar.

SEO é um degrau. Só um degrau.

O principal erro que vejo se repetir é achar que SEO bem-feito resolve. Não resolve. SEO é um degrau, talvez o primeiro, que não pode ser pulado. Mas continua sendo um degrau.

Ranquear no Google não garante que a IA cite você. Já medi. Empresas em primeiro lugar no Google com presença zero nas respostas das IAs. O inverso também existe: marcas que as IAs recomendam com consistência e que o Google mal conhece.

São jogos diferentes. Com regras diferentes. Com instrumentos diferentes.

A pesquisa

Há uns dois anos comecei a medir o que estava acontecendo. Coletei milhares de respostas de IAs sobre empresas reais, em verticais distintos, variando a forma de perguntar. O que emergiu foi consistente o suficiente para me fazer criar instrumentos próprios de medição.

O ENDEX mede a qualidade da citação: não se a marca aparece, mas com que peso ela é tratada quando aparece. O ASQ revela como a forma de perguntar muda quem a IA cita. O VIEX quantifica um viés na pesquisa: quando a amostra parte do Google para escolher quem estudar, ela deixa de fora exatamente as entidades que as IAs conhecem mas que o Google ignora. Isso é um erro de fundamento. A amostra nasce enviesada antes mesmo de começar.

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